Fernando Arrabal, O Paradoxo da Teatralidade

Literatura

 

Bruno Schiappa

 

132 páginas

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978-989-8218-53-7

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Colecção Literatura



Sinopse


 

   (...) A partir da segunda metade do séc. XX, os vários teatros parecem revisitar a frase emblemática de Hamlet “algo está podre no reino da Dinamarca” ao confrontarem o Homem com o abismo que o mesmo está a construir para si próprio no seu impulso desenfreado de transformação e manipulação do que o rodeia.(...)

   No início do século já alguns autores se debruçavam sobre o grande poço de diferenças que caracteriza a totalidade. Tristan Tzara, Artaud, Breton, entre outros, debruçavam-se sobre a inutilidade da busca da perfeição e da eleição de um único modelo. Genet, com a sua atracção pelo Mal, cujos princípios já eram conhecidos de quem estava familiarizado com a obra de Sade, William Blake ou, até mesmo, de Jean Paul-Sartre, desperta a curiosidade nos leitores e espectadores pelo fenómeno da transgressão, pela ideia de que Bem e Mal coexistem e são parte do mesmo. A constatação da natureza híbrida do Homem, que é resultado da coexistência da dimensão racional e da dimensão pulsional, “abrem as portas” às considerações sobre o que é ser livre, sobre o que é a essência do humano.

   Estes autores, no entanto, usaram sempre a experiência pessoal, i.e., agiram sempre nos limites do proibido. O modelo de vida que praticavam rompia com as normas sociais e fornecia-lhes matéria para os seus argumentos. As práticas libertinas imprimiam consistência aos raciocínios que iam formulando e às conclusões ou descobertas a que iam chegando, ou, pelo menos, às considerações que iam tecendo sobre a vida, o bem, o mal e a liberdade.

   Não é o caso de Fernando Arrabal. Este autor tem um crescimento errante até ao início da juventude mas, a sua vida acidentada, não lhe permite a libertinagem. Promove, antes, uma noção, uma necessidade de sobreviver, uma necessidade de ser independente. A prática da escrita transforma-se no seu meio de sobrevivência. A estabilidade que conquista permite-lhe participar do sistema, para poder estar contra ele. A informação, a experiência por procuração – o relato dos outros, as tertúlias, as revoluções sexuais - , as viagens pelo ocidente e pelo oriente, as privações de que foi vítima, são matéria do pensamento que vai estruturando. A vida, de acordo com as normas que este autor abraçou, permite-lhe ter a estabilidade necessária para, não só conhecer o Homem como também encontrar uma solução ideal para a vida em sociedade.

   Este percurso vai levá-lo à descoberta de que o seu ideal só é realizável através daquilo que Arrabal combate: A teatralidade.

 

 

Bruno Schiappa nasceu em Angola/Novo Redondo, a 8/10/1965. Encontra-se a preparar a tese de Doutoramento em Estudos Artísticos/Estudos de Teatro na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, como bolseiro da FCT; é Mestre em Estudos de Teatro pela mesma Faculdade; é Licenciado em Actor/Encenador pela Escola Superior de Teatro e Cinema.

É actor, encenador, dramaturgo e professor de Expressão Dramática. Fez especialização em Dança/Sapateado em NY e Paris.

Foi membro da Companhia Canadiana Pigeons International de 2000 a 2008.

Foi galardoado com os prémios do Guia dos Teatros 2007 nas categorias de Melhor Espectáculo a Solo – (I) MORTAL e Melhor Actor num Papel Secundário – FROZEN.

 

“Depois do pânico construiremos e destruiremos os objectos e recomeçaremos a fabricar outros diferentes. E como o homem pânico não faz economias nem projectos, produzirá  uma arquitectura instável (...), obras de arte inconserváveis e teorias em constante transformação, fundando toda a sua teoria sobre uma metamorfose contínua do próprio e dos objectos que o rodeiam.”

Fernando Arrabal 

 

 

 

 

 

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